terça-feira, 1 de novembro de 2022

As viagens onde me perdi

 

As viagens onde me perdi


O português seja ele citadino ou rural nunca notou o contra-senso geográfico. Locais de suster a respiração – Quem por lá passou ou viveu, é que sabe dar valor e importância…


Sempre que parto para um percurso, o meu fascínio, percorre os pretensos efeitos que são de qualidade lírica. A mistura das cores no momento em que olho o mar na desenvoltura por cima de muralhas quando não entro pelas paredes dos castelos medievais, o incólume do tempo (séculos) onde tudo é paisagem e abrigo dos viajantes. - O acolhimento invejável e os momentos ao ar livre, – as fragrâncias emadeiradas âmbar e cedro. Examinei o mais pormenorizado para entender e tirar o conceito de um quadro rudimentar cheio de querelas sepultadas por conflitos armados – sepultados com os seus epitáfios em geometria fractal.


Visitei locais de suster a respiração. Caminhei por trajectos sinuosos com história – dentro de um jardim de uma propriedade, onde ficam as colmeias e os alimentos básicos do esforço físico em ângulos e transversais.  Por esse mundo fora descurei a inesgotável diversidade dos contextos sociais , e os seus fenómenos que geram singularidade histórica dos processos sociais produzidos. Assisti a um mundo contestatário em desobediência civil. – Repressão militar- governos autoritários – tempos conturbado a exigir a liberdade e democracia.  
Estive nos confins da acerada severidade, com a humildade, pobreza e a dignidade sentadas em alpendres de casas de pedra seculares que, me convidaram a sentar-me á sua mesa em convívio familiar. Aldeões que desprendiam o resplendor da simplicidade salutar e reconfortante. Gente pálida de olhos redondos muito abertos com aspecto inquietante sempre a olhar barulhos estranhos, quando alguém passava, porque podiam ser malévolos ou ladrões, – mas os que passavam era um grupo de maltrapilhos e atrofiados de sacho às costas e de garrafão na mão a baixarem-nos a cabeça com uma furtiva saudação. É gente que emana a harmonia mesmo quando nos surpreende o frio. Pois… quando o calor fica ausente e distante, incomodo-me com o seu humor sombrio.

Passeei por Tapadas com recintos murado, mal arborizado com uma trintena de esbeltos animais; corças e veados em correrias desvairadas… 

      vivi as mesmas aventuras que os meus antepassados em tempos remotos que, visitaram tudo o que havia para visitar – onde começa a terra e acaba o mar com a sua apaixonante extensão…

O mundo não reagiu contra a globalização, e as tecnologias vieram a intensificar a desigualdade da sociedade.  


Santiago  de Compostela 
 Tomar

                                                  Philadelphia

  Habituei os meus olhos à intrínseca beleza invulgar; colorido variegado e policromia campesina das povoações fundeadas da serra do Açor. A ver  correr rio alva com amenidade entre matas arborizadas a murmurar às margens das terras silenciosas onde só corre o vento, acordava-se com o cântico da manhã das rolas, dos cucos, dos melros e dos rouxinóis.

       O rio que deixou de correr como antigamente, e os pássaros já não cantam como era suposto cantarem.

 





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