As
viagens onde me perdi
O português seja ele citadino ou rural nunca notou o contra-senso geográfico. Locais de suster a respiração – Quem por lá passou ou viveu, é que sabe dar valor e importância…
Visitei locais de suster a respiração. Caminhei por trajectos
sinuosos com história – dentro de um jardim de uma propriedade, onde ficam as
colmeias e os alimentos básicos do esforço físico em ângulos e
transversais. Por esse mundo fora
descurei a inesgotável diversidade dos contextos sociais , e os seus fenómenos
que geram singularidade histórica dos processos sociais produzidos. Assisti a
um mundo contestatário em desobediência civil. – Repressão militar- governos
autoritários – tempos conturbado a exigir a liberdade e democracia.
Estive nos confins da acerada severidade, com a humildade,
pobreza e a dignidade sentadas em alpendres de casas de pedra seculares que, me
convidaram a sentar-me á sua mesa em convívio familiar. Aldeões que desprendiam
o resplendor da simplicidade salutar e reconfortante. Gente pálida de olhos
redondos muito abertos com aspecto inquietante sempre a olhar barulhos estranhos,
quando alguém passava, porque podiam ser malévolos ou ladrões, – mas os que
passavam era um grupo de maltrapilhos e atrofiados de sacho às costas e de
garrafão na mão a baixarem-nos a cabeça com uma furtiva saudação. É gente que
emana a harmonia mesmo quando nos surpreende o frio. Pois… quando o calor fica
ausente e distante, incomodo-me com o seu humor sombrio.
Passeei por Tapadas
com recintos murado, mal arborizado com uma trintena de esbeltos animais;
corças e veados em correrias desvairadas… vivi as mesmas
aventuras que os meus antepassados em tempos remotos que, visitaram tudo o que
havia para visitar – onde começa a terra e acaba o mar com a sua apaixonante
extensão…
O mundo não reagiu contra a globalização, e as tecnologias
vieram a intensificar a desigualdade da sociedade.
Habituei os meus
olhos à intrínseca beleza invulgar; colorido variegado e policromia campesina
das povoações fundeadas da serra do Açor. A ver
correr rio alva com amenidade entre matas arborizadas a murmurar às
margens das terras silenciosas onde só corre o vento, acordava-se com o cântico
da manhã das rolas, dos cucos, dos melros e dos rouxinóis.
O rio que deixou de correr como
antigamente, e os pássaros já não cantam como era suposto cantarem.


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