segunda-feira, 25 de março de 2013

Lisboa


     



     Presenciei lúgubres acontecimentos, profundos e dolorosos, como as do palco, com cenários e actores com o seu guarda-roupa, que nos divertem ou emocionam. Que tanto no expõem  à beleza como ao perigo de qualquer natureza:
     Em estradas por vias estreitas e poeirentas onde a circulação é difícil de dia e arriscada de noite, sem qualquer iluminação, eram lugares onde o vento cega e sufoca. Em alguns pontos, a espessura do arvoredo cerrado, em plena treva, não deixava que qualquer sombra acompanha-se quem ali caminhasse



A mendicidade recatada que não se pode confundir com a pobreza envergonhada. Gente que exerce livremente o seu ofício com a maior indiscrição, que sem cerimónia interrompem quem passa.
As casas de tavolagem mais ou menos lobregas e infectadas em pátios tenebrosos
Bandos  enxaguamos de crianças pobres, brincando e crescendo sobre o pavimento sujo das ruas e das vielas esquecidas. As camponesas caminhavam de pés e pernas nuas sem que ninguém olha-se as suas embevecidas e robustas “attachés.” Enquanto as senhoras com os seus vestidos afagados, alguns colossos de gordura apresentando as mais preciosas jóias com um colo exuberante. As mais velhas à longo tempo dóceis e submissas a passarem sob o jugo da moda sem se aperceberem da modéstia dos seus contornos e decotes, ancas a deformarem e o cabelo a cair.


Um grande número de intrusos invade e devassa as ruas, juntam um ruido vibrante, mas nem toda a gente suporta o barulho ensurdecedor. O lixo e a poeira não incómoda, porque mal se vêem, quando o vento levanta limpa o esterqueiro das ruas.


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