Em
Sesimbra andei de mãos dadas em silêncio a olhar com avidez o mar ciumento e
colérico; O mar absorto pelos séculos e sem idade. Prateado e deserto, e cheio
de eternidade enternecedora, com sons, vibrações e vagas intermináveis, ao
quebranto do crepúsculo, em estilo brando a qualquer olhar sedento.
-
Embora a verdade seja dita;
Só
se ouvem as pancadas das águas
Só
se sente a maresia,
A
simbiose
E
os perfumes delas…
O
turismo parece um caos; corpos meios nus, em t-shirt em calção de banho num passadiço,
corredor estreito e comprido, com encostos, apalpamentos com ou sem intenção
libidinosa, por gente bem ou mal cheirosa com um vozear contínuo, com a análise
visual bem perto dos meus olhos enquanto percorro o centro da confusão com vários
olhares suspensos, implacáveis, sem controle nos movimentos… a devassar algum mistério,
quem sabe o que vai nos seus pensamentos?…
Conheci uma mulher que tinha um olhar sacrificado. Quando passeava pelo côncavo
da enseada de ponta a ponta para exercitar as pernas, o corpo rechonchudo, e o
desassossegado, como seu passa tempo. Com o rosto calmo a remexer devagar.
Lábios e boca a mastigar um pensamento… vai sacudindo o corpo compassivo
assistindo com o olhar e, em silêncio, admirando se não deslumbrada, a paisagem
do mar a dar-lhe conforto tangível desmascarado no seu semblante. e dizia:
«Fico
a rolar por aqui com desejo
Sem
querer voltar para casa
Nem
para dentro de mim.



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