segunda-feira, 25 de março de 2013

Sesimbra






Em Sesimbra andei de mãos dadas em silêncio a olhar com avidez o mar ciumento e colérico; O mar absorto pelos séculos e sem idade. Prateado e deserto, e cheio de eternidade enternecedora, com sons, vibrações e vagas intermináveis, ao quebranto do crepúsculo, em estilo brando a qualquer olhar sedento.
- Embora a verdade seja dita;
Só se ouvem as pancadas das águas
Só se sente a maresia,
A simbiose
E os perfumes delas…


O turismo parece um caos; corpos meios nus, em t-shirt em calção de banho num passadiço, corredor estreito e comprido, com encostos, apalpamentos com ou sem intenção libidinosa, por gente bem ou mal cheirosa com um vozear contínuo, com a análise visual bem perto dos meus olhos enquanto percorro o centro da confusão com vários olhares suspensos, implacáveis, sem controle nos movimentos… a devassar algum mistério, quem sabe o que vai nos seus pensamentos?…

Conheci uma mulher que tinha um olhar sacrificado. Quando passeava pelo côncavo da enseada de ponta a ponta para exercitar as pernas, o corpo rechonchudo, e o desassossegado, como seu passa tempo. Com o rosto calmo a remexer devagar. Lábios e boca a mastigar um pensamento… vai sacudindo o corpo compassivo assistindo com o olhar e, em silêncio, admirando se não deslumbrada, a paisagem do mar a dar-lhe conforto tangível desmascarado no seu semblante. e dizia:
«Fico a rolar por aqui com desejo
Sem querer voltar para casa
Nem para dentro de mim.

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